Festival de Parintins: conheça a história e entenda como funciona o maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo

Criado oficialmente em 1965 para ajudar a Igreja Católica, o evento ganhou o Bumbódromo em 1988, consolidando a rivalidade histórica entre os bois Caprichoso e Garantido.

Todos os anos, a cidade de Parintins, no interior do Amazonas, se transforma no palco do maior espetáculo folclórico a céu aberto do mundo: o Festival de Parintins. Em 2026, a festa será realizada nos dias 26, 27 e 28 de junho e deve reunir milhares de visitantes para acompanhar a disputa entre os bois-bumbás Caprichoso e Garantido.

Misturando música, dança, alegorias gigantes e elementos da cultura amazônica, o festival se tornou um símbolo da identidade da região Norte e uma das manifestações folclóricas mais conhecidas do país.

A história dos bois começou no início do século XX. O Boi Garantido, nas cores vermelha e branca, foi criado por Lindolfo Monteverde. Já o Boi Caprichoso, representado pelo azul e branco, surgiu da imaginação dos irmãos Roque, Beatriz e Pedro Cid. Na época, as apresentações eram simples e aconteciam pelas ruas da cidade.

Inspirado no tradicional bumba-meu-boi do Maranhão, o boi-bumbá amazonense ganhou características próprias ao incorporar lendas da floresta, rituais indígenas e costumes da cultura popular amazônica. Com o passar dos anos, a rivalidade entre Caprichoso e Garantido ajudou a transformar a festa em um fenômeno cultural conhecido dentro e fora do Brasil.

O festival oficial surgiu em 1965. A iniciativa partiu de jovens ligados à Igreja Católica e de padres da cidade, que buscavam arrecadar recursos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Na primeira edição, apenas quadrilhas juninas participaram da programação. No ano seguinte, os dois bois passaram a integrar a disputa.

Com o crescimento do evento, o Governo do Amazonas construiu, em 1988, o Bumbódromo, arena em formato de cabeça de boi que se tornou um dos principais cartões-postais da cidade. É nesse palco que, todos os anos, a tradição ganha vida diante de milhares de espectadores.

Como funciona a disputa
Durante as três noites de festival, cada boi tem entre duas horas e duas horas e meia para se apresentar. As apresentações contam histórias inspiradas na Amazônia por meio de músicas, coreografias, encenações, alegorias e personagens tradicionais.

Enquanto um boi está na arena, a torcida adversária, conhecida como galera, deve permanecer em silêncio. Manifestações durante a apresentação rival podem resultar em punições.

Para embalar o espetáculo, Garantido e Caprichoso lançam anualmente álbuns com cerca de 20 toadas inéditas. As canções ajudam a narrar o tema escolhido por cada agremiação e são parte fundamental da apresentação.

Fonte: g1.globo.com

Fotos: Divulgação/Secom-Am