Projeto piloto de reciclagem navega pelos rios da Amazônia para mostrar o valor dos resíduos e ampliar o diálogo sobre sua destinação correta

Embarcação fará percurso entre Manaus e Parintins com ações em comunidades ribeirinhas para demonstrar como a separação e a destinação adequada de materiais recicláveis podem gerar renda para a população local e fortalecer a logística reversa na região

Manaus, junho de 2026 – Aproveitando a mobilização gerada por um dos maiores eventos culturais do país, o Festival de Parintins, a Coca-Cola Brasil, em parceria com a Green Mining, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) e organizações locais, lança um projeto piloto que percorrerá rios da Amazônia promovendo educação ambiental, conscientização sobre coleta seletiva e destinação correta de resíduos em comunidades ribeirinhas. A iniciativa, que tem forte foco na logística reversa, acontece ao longo do trajeto entre Manaus e Parintins e se conectará à agenda de gestão de resíduos realizada durante o Festival por meio do projeto Recicla, Galera.

Nesta primeira edição, o projeto Estação Preço de Fábrica Itinerante tem caráter prioritariamente educativo, ao demonstrar, na prática, que os resíduos possuem valor econômico e que sua separação e destinação corretas podem gerar renda para a população local. A proposta busca estimular o diálogo sobre a gestão adequada dos materiais recicláveis, evidenciando como o pagamento de um preço justo pelos resíduos pode contribuir para o engajamento das comunidades e para o fortalecimento da cadeia local de reciclagem.

A embarcação saiu de Manaus na manhã de ontem, 23, rumo a Parintins, realizando paradas em 10 comunidades localizadas nos municípios de Careiro da Várzea, Itacoatiara e Parintins, entre elas Uricurituba Novo, Uricurituba Velho e Caburi.
A proposta é utilizar a experiência do Festival de Parintins como ponto de partida para ampliar o diálogo sobre gestão de resíduos em outros territórios da Amazônia, por meio de uma construção conjunta entre iniciativa privada, poder público e organizações locais.

“As parcerias são fundamentais porque nenhum desafio complexo se resolve de forma isolada. Trabalhar ao lado de organizações locais, poder público, instituições da sociedade civil e comunidades nos permite compreender melhor as necessidades de cada território e construir soluções mais aderentes à realidade local. Este projeto piloto nasce justamente dessa construção coletiva e da oportunidade de levar para as comunidades da Amazônia uma experiência adaptada às características da região”, explica Katielle Haffner, diretora de Sustentabilidade da Coca-Cola para Brasil.

A diretora destaca que a iniciativa tem foco na recuperação de embalagens PET e busca compreender, na prática, os desafios da logística reversa em comunidades amazônicas. Segundo ela, diferentemente de outras regiões, o principal obstáculo muitas vezes não está na separação dos materiais, mas na viabilidade de transportá-los por longas distâncias até destinos adequados para reciclagem. Por isso, o projeto pretende testar novos formatos de coleta e destinação ao lado de parceiros especializados, gerando aprendizados que possam contribuir para o desenvolvimento de soluções adaptadas à realidade da região.

O projeto é uma adaptação para a realidade amazônica de uma iniciativa já desenvolvida pela Coca-Cola Brasil e pela Green Mining em centros urbanos, como São Paulo. Na capital paulista, a operação percorre diferentes bairros comprando materiais recicláveis diretamente dos catadores, eliminando intermediários e contribuindo para o aumento de sua renda. Se em outras regiões a logística da reciclagem acontece por estradas, na Amazônia ela acontece pelos rios.

“A Coca-Cola Brasil tem uma longa trajetória de apoio a grandes manifestações culturais e populares em diferentes regiões do país. Em Parintins, esse compromisso se conecta à geração de oportunidades, à valorização das identidades locais e ao desenvolvimento econômico da Amazônia. Há 30 anos apoiamos o Festival porque acreditamos na força da cultura como instrumento de transformação dos territórios. Ao mesmo tempo, buscamos construir, junto com parceiros, iniciativas que contribuam para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental da região ao longo de todo o ano. Este projeto piloto nasce dessa visão de continuidade e da importância de desenvolver soluções alinhadas à realidade amazônica”, afirma Gustavo Biscassi, vice-presidente de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

Para o CEO da Green Mining, Rodrigo Oliveira, levar tecnologia para a Amazônia é essencial para tornar a reciclagem mais eficiente, transparente e capaz de gerar renda para quem mais precisa. “Nosso objetivo é mostrar que as comunidades ribeirinhas podem ser protagonistas de uma nova economia circular, conectadas por soluções que garantam rastreabilidade, pagamento justo pelos materiais recicláveis e dignidade para catadores e moradores locais. Se na maior parte do Brasil a logística da reciclagem acontece pelas estradas, na Amazônia ela acontece pelos rios, e é justamente por isso que precisamos desenvolver modelos inovadores, adaptados à realidade da região, capazes de transformar resíduos em oportunidade e conservação ambiental”, finaliza Oliveira.

DO RIO PARA O FESTIVAL E DO FESTIVAL PARA O RIO
A iniciativa também se conecta ao Recicla, Galera, projeto realizado durante o Festival de Parintins pela Sema, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae/AM), a Coca-Cola Brasil, a Associação dos Catadores de Parintins (Ascalpin) e outros parceiros. A ação promove educação ambiental, mobilização das torcidas e a destinação correta dos resíduos gerados durante a festa.

Em 2026, o projeto chega à sua quinta edição consolidado como uma das principais iniciativas de educação ambiental associadas ao Festival. Desde 2022, segundo a Sema, o Recicla, Galera já contribuiu para a destinação correta de mais de 27 toneladas de resíduos recicláveis, fortalecendo também a atuação da Ascalpin e contribuindo para a conscientização ambiental da população local.

“O Recicla, Galera se consolidou como uma importante ferramenta de mobilização e engajamento da população em torno da destinação correta dos resíduos durante o Festival de Parintins. Ao longo dos últimos anos, a iniciativa contribuiu para fortalecer a educação ambiental, ampliar a participação da sociedade e valorizar o trabalho desenvolvido pelos catadores e catadoras da Ascalpin. Agora, damos mais um passo ao ampliar o debate sobre logística reversa e valorização dos resíduos para comunidades ribeirinhas, expandindo o alcance das ações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente voltadas à gestão de resíduos sólidos no Amazonas. É uma oportunidade de promover o diálogo sobre reciclagem, estimular soluções adequadas à realidade da região e fortalecer a construção conjunta entre poder público, iniciativa privada, organizações da sociedade civil e comunidades locais”, afirma Eduardo Taveira, secretário de Estado do Meio Ambiente do Amazonas.

A conexão com o novo projeto amplia esse alcance para além dos dias do Festival. Após chegar a Parintins, a Estação Preço de Fábrica Itinerante retornará a Manaus transportando os materiais recicláveis recolhidos nas comunidades visitadas, além dos resíduos destinados corretamente por meio do Recicla, Galera e daqueles coletados pela Ascalpin durante o Festival. A iniciativa integra diferentes etapas da cadeia da reciclagem, conectando as ações de educação ambiental desenvolvidas ao longo do percurso à mobilização realizada na ilha. Segundo a Green Mining, a expectativa é que a primeira operação do projeto piloto na Amazônia resulte na coleta de mais de 1,5 tonelada de PET.

A ação reforça uma agenda mais ampla de colaboração da Coca-Cola Brasil com parceiros públicos, privados e organizações da sociedade civil na Amazônia. Há mais de 35 anos na região, a companhia desenvolve iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioeconômico e ambiental, incluindo programas relacionados à agricultura familiar, acesso à água, empreendedorismo e gestão de resíduos.

Ao conectar comunidades ribeirinhas, educação ambiental e uma das maiores manifestações culturais do país, o projeto piloto busca contribuir para a construção de soluções alinhadas às características da Amazônia, fortalecendo o papel da colaboração na promoção da conscientização ambiental e da destinação correta de resíduos na região.